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CRÍTICA: Esta Casa, National Theatre at Home ✭✭✭✭
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Por
pauldavies
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Paul T Davies analisa a peça de James Graham, This House, agora em streaming na plataforma National Theatre at Home até 3 de junho.
Charles Edwards como Jack Weatherill. Foto: Johan Persson This House
National Theatre at Home
4 estrelas
Um Parlamento sem maioria, crises económicas a agravarem-se, descontentamento entre o eleitorado, linhas de batalha traçadas pelas filiações partidárias. A excelente peça de James Graham, estreada em 2013, examina os turbulentos anos políticos entre 1974 e 79, quando o Partido Trabalhista tinha uma maioria mínima, oscilando entre 4 e 1, e mostra com grande perícia os mecanismos da democracia — os acordos e os sacrifícios. O seu estilo característico de transmitir uma enorme quantidade de informação de forma simultaneamente divertida e pedagógica está bem patente, recorrendo a técnicas à moda antiga, como giz e quadro e a conversa, para condensar anos de exposição numa produção vibrante e, no geral, rápida.
Contada sobretudo a partir dos gabinetes dos ‘whips’ trabalhistas e conservadores, as divisões de classe ficam claras desde o início. Graham usa traços largos para apresentar as personagens — puré de ervilhas e saveloys para os Trabalhistas, ópera e referências militares para os Conservadores. Mas o retrato vai-se refinando à medida que a peça avança, e o drama alimenta-se de acontecimentos extraordinários que realmente ocorreram — o falso suicídio de John Stonehouse, as votações sobre ficar ou sair da UE, o “acordo de cavalheiros” do emparelhamento, que se torna crucial não só para o drama mas também para a História — tudo interpretado por um elenco de conjunto formidável. O duelo entre o vice-whip trabalhista Walter Harrison (Reece Dinsdale) e o whip conservador Jack Weatherhill (Charles Edwards) é a espinha dorsal da peça; são adversários soberbos, ajudados por um enérgico Phil Daniels na primeira metade. O que Graham faz muito bem é humanizar a política e o custo surpreendente que isso teve para o partido: 17 deputados trabalhistas morreram em consequência da pressão do excesso de trabalho e do esforço para manter o partido no poder por uma margem tão curta. Lauren O’Neil está excelente como Ann Taylor, uma rara presença feminina neste clube de rapazes, lidando bem com o sexismo casual da época.
Giles Taylor como o Speaker. Foto: Johan Persson
A necessidade de estar presente na câmara quando a maioria é tão curta fornece o coração da peça. O deputado por Batley — uma interpretação belíssima de Christopher Goodwin — luta contra problemas de saúde para estar na câmara e votar pelos Trabalhistas durante todo o período. Até que, por estar literalmente às portas da morte, não lhe pedem que compareça na última moção de censura, e a oposição vence por um voto. Este único momento conduz à eleição de Margaret Thatcher — é por tão pouco que a História muda de rumo.
O encenador Jeremy Herrin dá à peça a dimensão épica que ela merece, e a música ao vivo ajuda a que as transições decorram sem sobressaltos — a banda espelha a crescente influência do punk à medida que os anos passam! Embora o ritmo abrande um pouco numa segunda metade ligeiramente longa, há uma clareza enorme na produção (como o Speaker da Câmara a apresentar cada deputado) que mantém o público envolvido. O que também transparece é o respeito que os whips têm uns pelos outros, e isso deixou-me nostálgico por um tempo em que a política parecia menos tribal do que é hoje.
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