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CRÍTICA: Dois Voltam Para Casa, Lakeside Theatre Essex ✭✭✭
Publicado em
Por
pauldavies
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Paul T Davies analisa Two Come Home, uma nova peça de Joe Eason no Lakeside Theatre, Universidade de Essex.
Two Come Home.
Lakeside Theatre, Universidade de Essex.
1 de março de 2024
3 estrelas
Quando uma nova obra é apresentada pela primeira vez, muitas vezes ainda não está totalmente “no ponto” — e é uma oportunidade para a equipa criativa e o elenco avaliarem o que precisa de maior desenvolvimento e aquilo que já funciona. É certamente o caso da nova peça de Joe Eason, na qual há muito para admirar. Passada numa pequena cidade dos Apalaches, outrora mineira, Evan tenta reconstruir a sua vida após a prisão, lidando com a mãe alcoólica, até ao regresso do seu amor adolescente Jimmy e, depois, do pai violento de Evan ameaçar a sua própria existência. Eason tem sido transparente quanto à influência do trabalho de Tracey Letts, e é difícil não dar por isso. Com uma banda ao vivo em cena, também é inevitável fazer comparações com a recente versão teatral de Brokeback Mountain; o texto oferece pouco de realmente novo. Ainda assim, o arco narrativo é claro — e, em certos momentos, muito poderoso — e algumas interpretações excelentes dão vida ao espectáculo.
O próprio Eason interpreta Evan (e também compôs a música e assinou o desenho do espectáculo) e é soberbo a captar a qualidade enjaulada da personagem. O primeiro encontro com Jimmy (o excelente Ben Maytham) é o momento em que a peça ganha verdadeiro impulso; a tensão e a atracção sexual entre ambos são concretizadas de forma brilhante. Os dois são assombrados pelo amor, mais do que exaltados por ele. A mãe alcoólica, Amy, e o pai violento, Caleb, são um pouco estereotipados — já vimos estes retratos muitas vezes. Mas as interpretações notáveis de Nicola Goodchild e James Burton dão-lhes uma vida vívida, tornando muito clara a ameaça a qualquer felicidade que o filho consiga arrancar para si. Para mim, o papel menos desenvolvido é o do agente da polícia Greg Wilson, interpretado pelo encenador Noah Alfred
Pantano, e o seu anseio por ter aquilo que Evan e Jimmy têm parece uma camada queer a mais. Tem falas como “Toda a gente nesta cidade está quebrada”, e o seu conselho urgente para Evan sair da cidade soa ao polícia mais velho e endurecido que se vê nos diners americanos.
Ao início, com a banda a fornecer todos os efeitos sonoros e a música incidental, senti que estava subaproveitada. Depois, Eason solta uma canção belíssima mesmo antes do intervalo e, com os lindos vocais de Jenna Saiz-Abo Henrikson, todas as partes da peça se ligam de forma tremenda — este elemento é forte e comovente. Também me impressionou o facto de a peça não seguir o caminho que se poderia prever. É uma poderosa história de amor gay e habita um mundo muito convincente; para jovens LGBTQ+, tocará em muitas fibras. Com algum enxugamento e reescrita — de que tenho a certeza de que a companhia está consciente —, a peça vai voar no circuito de festivais.
Para mais informações, visite Peça Two Come Home
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