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CRÍTICA: Wreckage, Teatro Mercury Colchester ✭✭✭✭
Publicado em
18 de fevereiro de 2023
Por
pauldavies
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Paul T Davies critica a peça Wreckage, de Tom Ratcliffe, encenada por Rikki Beadle-Blair no Mercury Theatre, em Colchester.
Wreckage
Mercury Theatre, Colchester.
17 de fevereiro de 2023
4 estrelas
Site do Mercury Theatre Colchester
Depois de uma temporada esgotada no Edinburgh Fringe no ano passado, é um alívio finalmente pôr em dia a peça de Tom Ratcliffe sobre um caso de amor entre dois homens, tanto em vida como no além. O “wreckage” é o acidente de viação em que Noel, o companheiro de Sam, morre. Isto não é spoiler: abre a peça e volta a ser referido várias vezes numa sequência altamente impactante. Ratcliffe, que também interpreta Sam, leva-nos para trás e para a frente no tempo — desde o momento em que se conhecem até à vida de Sam sem Noel, embora ele ainda o possa ver e ouvir.
A natureza episódica da peça faz com que, para mim, no início seja difícil apanhar o fio à relação entre os dois. Talvez haja cenas a mais, e a peça — e a própria relação — pareça um pouco fugaz. Claro que a maior parte do relacionamento é mostrada quando Sam tem de viver sozinho, com Noel sempre presente, e é aí que a peça ganha verdadeira força. Tanto Ratcliffe como Michael Walters, no papel de Noel (e depois como Christian, o companheiro de vida de Sam), interpretam com paixão, dando vida às nuances subtis do texto com grande sensibilidade. No entanto, por vezes a interpretação resvala para algum exagero — sobretudo quando Sam destrói o jardim, furioso com Noel —, o volume sobe e perde-se a dicção. Walters também, pelo menos ao início, não distingue de forma suficientemente clara as suas duas personagens, o que pode causar alguma confusão. Mas, à medida que o tempo avança e momentos marcantes da vida de Sam são eficazmente projetados atrás deles (um ponto forte), a peça torna-se muito comovente e — para quem tem fé — o nome Christian ganha um significado especial.
A excelente encenação e conceção de Rikki Beadle-Blair mantêm o ritmo bem apertado e colocam o amor firmemente no centro. À medida que o andamento abranda, a força da relação e do texto começa a emergir, e a peça falou com muitas pessoas na plateia, independentemente da orientação sexual. Nunca perdemos aqueles que amamos verdadeiramente.
Mercury Theatre Colchester
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