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CRÍTICA: Escrevendo Peças - Estrutura, Personagem, Como e O Que Escrever, Nick Hern Books ✭✭✭✭✭
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pauldavies
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Paul T Davies analisa a nova publicação Playwriting: Structure, Character and What To Write, de Stephen Jeffreys, editada pela Nick Hern Books.
Escrita Teatral. Estrutura, Personagem, Como e O Que Escrever.
Stephen Jeffreys.
Nick Hern Books.
5 Estrelas
Durante mais de duas décadas, Stephen Jeffreys conduziu uma série de workshops de enorme sucesso que atraiu dramaturgos de todo o mundo e ajudou a moldar o trabalho de muitos dos escritores de sucesso de hoje. Editado por Maeve McKeown, o livro — no qual ele trabalhou até à sua morte prematura, em 2018 — preserva com carinho a sua voz única. E um dos grandes trunfos desta obra é sentirmos Jeffreys a falar connosco diretamente, de escritor para escritor, de amante de teatro para amante de teatro. O próprio resume o livro de forma lapidar: “Este livro é a culminação de uma vida inteira a ler e a escrever textos teatrais, a ir ao teatro e a ensinar dramaturgos. Ofereci aquilo que creio ter faltado até agora: um guia claro sobre estrutura, personagem, como e o que escrever.”
E o livro está organizado de forma exemplar em torno desses três temas. Desde a Poética de Aristóteles até peças recentes de grande sucesso, Jeffreys escolhe exemplos brilhantes para sustentar as suas ideias. Aprende-se, por exemplo, sobre Estrutura da História — como a narrativa em três partes de Macbeth —, sobre tempo e lugar abertos/fechados, o que escrever antes e depois de um intervalo, a peça de tempo interrompido, a relação com o público e muito mais. Os momentos em que usa uma peça que já conhecemos para demonstrar como é construída e como funciona em cena são entusiasmantes. (Ele oferece um resumo tão perfeito de Top Girls, de Caryl Churchill, que gostaria de o ter lido antes de tentar condensar a complexidade da peça numa crítica de 500 palavras à recente produção do National Theatre.)
Como escritor, gostei particularmente da secção sobre personagens, onde apanhei dicas que já comecei a pôr em prática. Lembra-nos como o passado das personagens é importante, mesmo que por vezes apenas um fragmento chegue ao palco, e convida-nos a pensar no que lhes acontece depois de a peça terminar. As três dimensões da personagem formam uma secção inspiradora e vale a pena sublinhar que Jeffreys também nos leva a querer comprar, requisitar ou investigar as peças que não conhecemos — ficamos com vontade de saber mais. Em How To Write há conselhos e histórias excelentes: agora sei o que é o “teste Peggy Ramsay”, como as gravações do Watergate podem servir de ferramenta para construir diálogo, e a diferença entre dramaturgos que são raposas e os que são ouriços. (Acredite: só por isto já vale a pena comprar o livro para descobrir qual deles é você!). Entre os exercícios que se podem fazer em casa, há exemplos de praticamente todos os tipos de peça que consiga imaginar.
A secção final inclui uma excelente análise atualizada das “histórias universais”, e Jeffreys defende de forma convincente a existência de Nove Histórias a partir das quais se cria todo o drama, desdobrando-as aqui em histórias de início, meio e fim. Em suma, este livro é um verdadeiro regalo, independentemente do ponto em que se considere estar enquanto escritor. É, no essencial, um livro para todos os amantes de teatro — um livro a que se volta vezes sem conta, para inspirar, guardar com carinho e oferecer a outros apaixonados por peças.
ENCOMENDE UM EXEMPLAR DE PLAYWRITING NA NICK HERN BOOKS
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