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CRÍTICA: A Noite do Iguana, Teatro Noel Coward ✭✭✭
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Por
pauldavies
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Paul T Davies analisa The Night of the Iguana, de Tennessee Williams, com Clive Owen, atualmente em cena no Noel Coward Theatre.
Clive Owen. Foto: Brinkhoff Moegenburg The Night of the Iguana Noel Coward Theatre Londres.
16 de julho de 2019
3 estrelas
Inspirada, em parte, nas suas experiências reais no verão de 1940, a peça de Tennessee Williams é um pouco uma “curate’s egg” — tem qualidades, mas não resulta por igual. Esculpido numa montanha no México, o Hotel Costa Verde é o cenário ideal para o tipo de personagens desalinhadas de Williams, que vão dar ali, à beira de uma transformação espiritual — e, para o mundo, histórica. A este paraíso no alto da colina chega o Reverendo T. Lawrence Shannon, um padre suspenso das suas funções que se tornou guia turístico, a lutar com os seus fantasmas de álcool e desejo por raparigas jovens. Está à beira de uma segunda crise nervosa, enquanto, lá em baixo, um autocarro cheio de senhoras descontentes de um colégio feminino do Texas — “uma equipa de futebol de solteironas” — se queixa em altos berros da visita, incluindo da sedução, por parte dele, do elemento mais jovem do grupo. O dono do hotel, Fred, morreu e a sua viúva, Maxine, agora livre, tem seduzido rapazes locais e põe Shannon na mira. No meio deste caos chega Hannah Jelkes, “a imagem de uma catedral gótica de uma santa medieval, mas animada”, e o seu frágil Avô, a tentar concluir o seu (último) poema.
Elenco de The Night of the Iguana. Foto: Brinkhoff Moegenburg
A peça e a encenação dão ampla margem para interpretações de grande nível. Como Shannon, Clive Owen capta muito bem a alma torturada: um retrato convincente de um homem a combater os seus demónios, os seus “fantasmas”, o seu cão negro, embora me tenha parecido um pouco contido na primeira metade. Anna Gunn é uma Maxine sensual e carente, que conhece Shannon de outros tempos, cruelmente manipuladora nas ameaças de o voltar a ver fechado no asilo local. A estrela do espetáculo, porém, é mais uma interpretação soberba de Lia Williams como Hannah Jelkes — uma vigarista, uma errante, nada de santa, mas com uma enorme capacidade de antecipação e visão, percebendo exatamente a situação em que se encontra e o caos à sua volta. A sua imobilidade e autoridade são hipnotizantes e magníficas. Julian Glover, como o avô, dá uma verdadeira aula de paciência e sentido de tempo; o seu poema final é belissimamente interpretado. Num elenco repleto de fortes personagens femininas, Finty Williams é um regalo como Judith Fellowes, a furiosa matriarca do grupo de senhoras. Ocasionalmente, a ação é interrompida por uma família nazi (que Williams viu na vida real), a celebrar ruidosamente Londres em chamas, liderada pela perfeição alemã de Wolfgang, atlético, na pele de Timothy Blore — uma estreia no West End impressionante.
Clive Owen e Lia Williams. Foto: Brinkhoff Moegenburg
Ainda assim, senti que, à medida que as três horas avançam, a peça vai servindo menos bem as personagens. Por vezes, a encenação de James MacDonald poderia ter saboreado mais os aspetos melodramáticos, e a segunda metade transforma-se num longo dueto entre Hannah e Shannon — interessante de ver, mas nem sempre totalmente envolvente; a peça não cresce propriamente até um clímax. Numa era de reinvenção, esta é uma produção respeitosa e tradicional, que não resolve o problema de que, tal como a iguana simbólica, a peça acaba amarrada à sua filosofia empolada. A imagem central — uma iguana amarrada e torturada pelos locais antes de ser morta para alimento — é algo desajeitada e Williams explora-a em demasia: até a iguana ser libertada, a espiritualidade e o futuro das personagens não podem ser libertados, e o resultado é o esperado. Ainda assim, vale a pena pelas interpretações e pelo excelente desenho de som de Max Pappenheim, que dá vida a ecos, trovoadas e acontecimentos fora de cena que povoam as indicações cénicas de Williams.
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