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CRÍTICA: Manic Street Creature, Southwark Playhouse ✭✭✭✭
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Por
markludmon
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Mark Ludmon analisa o êxito do Fringe de Edimburgo de Maimuna Memon, Manic Street Creature, após a sua transferência para o Southwark Playhouse Borough, em Londres
Manic Street Creature
Southwark Playhouse Borough, Londres
Quatro estrelas
Ao entrarmos em Manic Street Creature, de Maimuna Memon, o público é avisado de que encontrará referências à saúde mental, com recursos disponíveis para quem possa ser afetado. Por isso, não surpreende que esta seja uma viagem intensa pelos altos e baixos da relação entre dois músicos, cada um a lutar com os seus próprios demónios.
Escrito e interpretado pela própria Memon, é uma peça hipnotizante de narrativa, entrelaçada com uma playlist deslumbrante e cheia de alma de canções conduzidas por cordas. Estão magistralmente orquestradas, com acompanhamento de Rachel Barnes no violoncelo e Harley Johnston na percussão, embora o som do trio também recorra a guitarras, teclados e harmónio.
Estreado em Edimburgo no ano passado, o espetáculo conquistou distinções, incluindo o The Mental Health Award, refletindo a sua representação perspicaz da doença mental e da psicologia. Como narradora, Memon interpreta Ria, uma jovem que vem de Lancashire para Londres para desenvolver uma carreira na música. Ela apaixona-se por outro músico, Daniel, mas rapidamente se percebe que ele está a lidar com perturbação bipolar — anteriormente conhecida como depressão maníaca —, desencadeando uma montanha-russa de emoções para ambos.
A história aborda questões comuns enfrentadas por muitas pessoas com experiência de doença mental. Quanto da tua personalidade e da tua motivação se perde quando tomas medicação? Como podem as pessoas com problemas de saúde mental manter relações? Qual é o impacto nos cuidadores e na família de quem vive com estas dificuldades? É também a viagem de autodescoberta de Ria, examinando de que forma foi afetada por ter crescido sem a presença de um pai. Enquadrado como Ria a gravar faixas num estúdio, o espetáculo também apresenta a verdade difícil de que a criatividade artística muitas vezes nasce da angústia e da doença mental.
Apesar do tema sério, Memon injeta encanto e humor na narrativa, em colaboração com a encenadora Kirsty Patrick Ward. É apresentado em arena — tal como aconteceu na tenda Roundabout da Paines Plough, no Summerhall, em 2022 —, o que acrescenta intimidade e potência a esta assombrosa peça de gig theatre.
Em cena no Southwark Playhouse Borough até 11 de novembro de 2023.
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