NOTÍCIAS
CRÍTICA: Mais sobre o Fringe de Colchester 2022
Publicado em
6 de novembro de 2022
Por
teocoroiu
Share
Teo Coroiu voltou com mais críticas do Colchester Fringe 2022.
Com tantos espetáculos para analisar no Colchester Fringe 2022, pedimos a estudantes de Jornalismo da University of Essex que lançassem um olhar crítico sobre as propostas do fim de semana. Bem-vindo, Teo!
Jacky! (5 estrelas) Talvez uma das peças mais emocionantes que vi nos últimos tempos. “Jacky!” é uma história muito sensível sobre o processo de cura através do autoconhecimento. Antonio é um jovem muito especial, apaixonado pela dança desde sempre… até ao acidente. O acidente muda-lhe a vida por completo e fá-lo duvidar das próprias capacidades. Até que, um dia, percebe que precisa de regressar às suas rotinas para conseguir sarar. Criado pela mãe e pela avó, Antonio vai aprendendo a enfrentar os seus medos e a voltar a viver. Impressionou-me o quanto o público foi tocado por esta atuação. Do riso às lágrimas, a plateia percorreu aquilo que pretende ser a vida e as experiências de Antonio — uma vida salpicada de amor e muita música, mas também de dificuldades. Leve mesmo lenços antes de ir ver Jacky! Saddle Sore (5 estrelas) Saddle Sore, escrito por Kevin Topple & Ian Hornett e produzido pela Bring me Sunshine, é uma bela viagem pelas memórias dos “3 amigos”. Conta a história de dois amigos que ainda tentam ultrapassar a perda do seu melhor amigo, Dave, que morreu de cancro da próstata. Como é difícil para Kevin e Joe falar sobre os seus sentimentos, acabam muitas vezes por se gozar um ao outro. O espetáculo é dedicado a todos os que lutam contra o cancro da próstata, ou a quem perdeu essa batalha. Uma peça muito emotiva que aborda o desconforto da “dor de sela” recorrendo à ironia. O final está cheio de esperança: ao fazer exames atempadamente e ao comunicar com quem amamos, torna-se mais fácil superar as provas da vida. Schema (4 estrelas) Schema é um bom “energético” para quem se possa sentir em baixo. Katy Higgins é bailarina, contadora de histórias, uma artista que, durante 45 minutos, explora a ligação do nosso cérebro aos sons através de uma fantástica mistura de luzes vermelho-alaranjadas e música elétrica. Katy não nos dá uma lição de neurociência; cria dança a partir de sons que muitas vezes nos são familiares. Constrói uma simetria extraordinária entre expressões faciais e movimentos corporais vibrantes. O que é um schema? É apenas uma mistura de movimento e boa música, ou há algo mais por trás? Reclaiming Harry (5 estrelas) Reclaiming Harry, uma produção de Rich Watkins, é uma aventura fabulosa para todos os fãs de Harry Potter. Depois do escândalo no Twitter envolvendo J. K. Rowling, quando os fãs começaram a desistir da história, Harry precisa que outra pessoa escreva o seu percurso — ou ficará para sempre esquecido. Os atores, talentosos e cheios de paixão, trouxeram ao palco as personagens famosas, desta vez num contexto diferente daquele a que estávamos habituados. Não só vai encontrar referências a bestsellers como As Crónicas de Nárnia, O Feiticeiro de Oz ou Twilight, como também será levado numa aventura musical mais do que interessante. No fim, vai ser muito difícil conter o riso. A magia ainda existe — e essa é a palavra perfeita para descrever o tom do espetáculo. Grimm’s “Fairer” Tales (5 estrelas) O que pode ser mais fascinante do que ver os seus próprios filhos a participar num espetáculo de teatro? Da Capuchinho Vermelho a Rumpelstiltskin, o narrador leva o público numa experiência cativante em que as próprias crianças podem fazer parte. É uma ótima oportunidade não só para os miúdos na plateia, mas também para os adultos se desafiarem ao entrar em cena. Dá-lhe a hipótese de explorar melhor os seus talentos e de desfrutar de uma atuação de uma forma totalmente diferente. A “Stories Alive” conseguiu trazer ao palco uma reinterpretação muito moderna dos famosos contos dos Irmãos Grimm. Dreambag (4 estrelas) Consegue distinguir um sonho da realidade? Talvez pense que sim — mas Dreambag, de Abi Cunliffe, pode mudar a sua perspetiva. Prepare-se para uma bela aventura pelo mundo dos sonhos… e dos sacos. Muitos sacos. De diferentes formatos, formas e cores. Uma instalação de memórias, medos, pensamentos, respostas honestas e sonhos. Vai entrar num mundo de sonhos — por isso escolha o seu saco favorito, feche os olhos e ouça-a. Ela tem uma mensagem para si. Respire fundo, sente-se e escute. Já se sente suficientemente confortável? Body: A work in progress (4 estrelas) Pauline Eyre está aqui para nos mostrar o seu corpo — mas calma, não da forma que está a imaginar. Conhecemos mesmo as nossas mulheres — mães, filhas, avós, sobrinhas, tias? O espetáculo de stand-up comedy de Pauline é um relato real sobre o que significa ser uma mulher na casa dos 50 e aprender a viver algumas das experiências mais especiais — e talvez mais aterradoras — da vida. O seu humor é extraordinariamente contagiante, e garanto-lhe que, independentemente da idade, vai divertir-se imenso. Traga amigos consigo e vá ver Body: a work in progress, de Pauline Eyre. The Stock Cube (4 estrelas) O número de Shar Cooterie foi um dos meus favoritos. Passei grande parte do tempo a chorar — mas de alegria. Provavelmente um dos espetáculos de entretenimento mais criativos, com alguns dos jogos mais únicos e fora do comum que toda a gente merece experimentar pelo menos uma vez na vida. Prepare-se para participar nesses jogos e terá a oportunidade de ganhar alguns prémios “interessantes”. “Interessante” parece ser mesmo a palavra certa para descrever não só os prémios, mas o espetáculo inteiro. Música, até um pouco de dança, e muitas piadas — algo que torna a atuação especialmente natural e autêntica. Neurodelicious (4 estrelas) O Colchester Arts Centre apresentou, no último dia do Fringe, uma atuação absolutamente notável, reunida numa coleção “deliciosa” dedicada a um público muito diverso. Neurodelicious foi criado por artistas neurodivergentes, oferecendo ao público uma nova forma de arte. A arte está em todo o lado e pode ser encontrada nas mais diversas situações. Este conjunto de performances reúne talentos em poesia, música, dança, canto, narração, cinema e encenação. Ao todo, houve 10 números, com o público a envolver-se de imediato com os artistas e os espetáculos. Este tipo de evento artístico mostra que o nosso mundo está cheio de pessoas: algumas podem achar certas propostas aborrecidas ou simplesmente “não ser a sua praia”, mas o que torna Neurodelicious especial é a naturalidade com que estes números foram criados e levados ao palco.
Receba o melhor do teatro britânico diretamente na sua caixa de entrada
Seja o primeiro a garantir os melhores ingressos, ofertas exclusivas e as últimas notícias do West End.
Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento. Política de privacidade