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CRÍTICA: Rachel Bay Jones com Seth Rudetsky, Online ✭✭✭✭✭
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julianeaves
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Julian Eaves faz a crítica de Rachel Bay Jones e Seth Rudetsky online, como parte da série de concertos de Seth.
Rachel Bay Jones Rachel Bay Jones e Seth Rudetsky Em streaming online 5 estrelas Há algo de maravilhosamente luminoso na voz desta artista inteligente e intensamente focada. E a forma como ela consegue saltar de um papel para outro com tamanha fluidez é notável: a viagem de ser uma inocente jovem de 20 anos, apaixonada e ingénua, em ‘Hair’ (Ragni/Rado/MacDermot), a cantar ‘Frank Mills’ com total credibilidade, para, de imediato, passar a interpretar uma assassina de maridos de 60 anos, tresloucada, nos belíssimos números musicais escritos por David Yazbek para ‘Women on the Verge of a Nervous Breakdown’, inundando ambos com a mesma luz e, ainda assim, sendo algo completamente diferente na forma como assume cada personagem. Ainda assim, a clareza com que explicou a personagem Lucia revelou uma faceta que o público mal pôde ver no libreto de Jeffrey Lane: talvez isso tivesse algo a ver com a encenação de Bartlett Sher? Seja qual for a razão, é um espetáculo que não correu bem na Broadway, nem — numa versão ligeiramente diferente — em Londres. Mais uma vez, o cabaré resgata grande material perdido do pó do esquecimento. E foi também uma oportunidade brilhante para alguma deliciosa “fofoca” de bastidores sobre a joia que é Patti Lupone: contada com mestria, foi uma dessas histórias do tipo “achas que sabes como alguém é, mas na verdade não fazes ideia”, e Bay Jones é a narradora ideal para esse relato, contornando qualquer sugestão de exibicionismo, mas distribuindo crédito e elogios generosamente àqueles com quem adora trabalhar. A viagem daí até Buenos Aires talvez não tenha sido tão grande, mas a sua abordagem a Eva Perón em ‘Evita’ (Lloyd Webber/Rice) encontrou um novo indivíduo no coração da história, também iluminado pela inserção de letras em espanhol, que trazem uma caracterização muito mais poética e afetiva — bem distante da diva mais dura, mais áspera e mais venenosa de Rice. Ela já interpretou o papel em ambas as línguas e fez o mesmo em produções anglo-francesas e em alemão. Ou seja: estamos perante uma verdadeira cantora, capaz de trabalhar em qualquer idioma, desde que o idioma tenha música. ‘Don’t Cry For Me Argentina’ torna-se outra coisa nas suas mãos, soando muito mais vulnerável e exposta do que costuma ser. Seth Rudetsky A sua abordagem, no entanto, foi-se apurando com o passar do tempo. Vinda de uma família de atores (ambos os pais), ela procura a porta de entrada certa para si como ponto de partida na construção de um papel. Assim, quando lhe pediram para fazer uma audição para uma reposição de ‘Pippin’, de Stephen Schwartz, teve muito em que pensar; é um espetáculo dentro de um espetáculo, e ela viu aí a oportunidade de interpretar Catherine (supostamente uma ingénua) como uma atriz que já faz aquele papel há muito tempo. Como disse, “Isto ficou mesmo interessante para mim...”; tornou-se uma oportunidade de explorar muitos temas diferentes, por exemplo: “o que é ser mantida numa caixa enquanto mulher....”. Temas muito próximos do seu coração. E qual foi a reação que recebeu da indústria? “Achavam que eu era demasiado velha para o papel.” Deixou que isso a travasse? Não, de todo. Com uma ajudinha de amigos, encontrou o seu caminho até lá — e foi extraordinária. Paul Simon e Linda Ronstadt também entram no seu repertório: é bom ter estes pequenos “extras” para introduzir um pouco mais de variedade no formato “e depois eu cantei...”, mas também nos lembra da ligação muito próxima entre a ‘Tin Pan Alley’ e a ‘Broadway’. Afinal, isto é cabaré, onde as vozes são livres para vaguear pelos territórios que querem explorar. “Sem medo de estar zangada, sem medo de ser desarrumada” podia ser outro lema seu, e ela não tem receio de introduzir cores perigosas na sua música. ‘I Miss The Mountains’, de ‘Next To Normal’, de Tom Kitt e Brian Yorkey — um lamento errante, com travo de country, por liberdade — é a combinação perfeita para uma atriz que quer esticar os limites do que se pode fazer no teatro musical. É uma canção que exemplifica na perfeição o vínculo estreito entre géneros da canção popular e o teatro musical, outro interesse recorrente destacado neste ciclo. ‘So Big, So Small’, de ‘Dear Evan Hansen’ (Pasek e Paul), é outra canção que, nas suas mãos, é pura magia. É uma canção que nos leva diretamente de volta a ‘Hair’ ao tornar algo dramático a partir de um incidente minúsculo. E depois terminámos com outro número dos rapazes, ‘Runnin’ Home To You’, de ‘Flash: The Musical’, portanto ela deve gostar mesmo, mesmo deles. Da forma como ela o canta: nós também temos de gostar. O episódio desta semana, então: talvez um pouco menos intenso em termos dramáticos, mas enorme em coração. E é isso que importa. A SEGUIR: Sierra Boggess SAIBA MAIS SOBRE A SÉRIE DE CONCERTOS DE SETH Leia a nossa crítica de Norm Lewis Leia a nossa crítica de Megan Hilty Leia a nossa crítica de Audra McDonald Leia a nossa crítica de Cheyenne Jackson Leia a nossa crítica de Liz Callaway Leia a nossa crítica de Stephanie J Bloch
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