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QUINTA-FEIRA NOSTÁLGICA: Oliver Towse
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Por
diadasarah
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Nesta quinta-feira falámos com Oliver Towse, estrela da produção imersiva de The Great Gatsby.
Oliver Towse em The Great Gatsby. Foto: Helen Maybanks 1) Qual foi o primeiro espetáculo que fizeste em criança e o que te levou a entrar no mundo do teatro?
Um dos primeiros espetáculos que fiz foi Les Mis, numa sociedade dramática amadora — devia ter uns 13 anos. Fiz de um pequeno camponês na primeira cena, aquela em que o Valjean está a lamentar-se de qualquer coisa.
O meu amor pela representação começou muito antes disso, mas lembro-me de que, durante “Bring Him Home”, o ator que fazia de Valjean levou um copo de água para o palco e deixou-o como adereço para poder beber a meio da cena, porque tinha dificuldade em chegar às notas mais agudas. Achei genial. Hoje somos muito amigos e já fizemos muitos trabalhos juntos desde então — e a história da água aparece sempre.
2) Qual é o teu processo, todas as noites, para entrares na personagem antes de um espetáculo?
O trabalho de personagem está sempre contigo — não é só antes de entrares em palco, mas desde que acordas. Tens de fazer as tuas verificações, como abrir uma loja de manhã ou preparar-te para abrir um bar.
Faz as tuas verificações, tira o pó, fica no melhor lugar possível para estares pronto a receber o que vier.
Antes de o espetáculo começar, mantém a energia em alta. Não deixes a mente escorregar para o futuro e para a viagem do espetáculo; pensa apenas no presente: onde estás, com quem estás e o que tens de fazer primeiro.
Os teus colegas de elenco são os teus maiores aliados — concentra-te e leva isto a sério.
3) Como foi o processo de ensaios para The Great Gatsby, sendo um livro tão conhecido? Difere muito do livro, e houve pressão para garantir que estivesse “à altura” para os fãs?
O livro é Deus. Se te afastas disso, ficas completamente perdido quando se trata de algo como The Great Gatsby.
Desde o primeiro dia de ensaios até às minhas últimas atuações, o livro esteve sempre ao alcance da mão.
O Fitzgerald dá-te tudo — os detalhes estão lá, tens é de os encontrar. Tudo o que precisas está naquelas páginas. Eu e o ator que faz de Nick estávamos constantemente a conversar sobre o texto e a experimentar coisas novas que encontrávamos no livro. É uma história linda e as personagens são tão complexas… nunca vais “passar o boss final” de compreender o Sr. Gatsby, mas quando assumes um papel como o Jay tens de estar preparado para ficar preso e frustrado às vezes — e digo-to de borla. Ha!
4) Fala-nos da vertente imersiva do espetáculo, do ponto de vista de um ator?
Ah, é tão divertido — uma energia completamente diferente e um conjunto de competências diferente quando se trata de trabalho imersivo.
Sem pausas, sem coxias, sem bastidores.
19:30 sobe o pano, 22:00 desce o pano
Tens um pequeno momento para respirar no intervalo, fazes um check-in com a direção de cena, mas tirando isso estás sempre “ligado” — e eu adoro. Como intérprete, desafia-te constantemente: mantém a bola no ar ou vais acabar apanhado e envergonhado. Assim que um espectador vê um lampejo de “Oli”, toda a ilusão se perde naquele instante — estraga-lhes o espetáculo. A imersão é sobre suspender a descrença; nós, enquanto intérpretes, ajudamo-los a fazê-lo e mantemos o ritmo, para que, a certa altura, o público já nem tenha de pensar onde está — simplesmente está lá e está a adorar!
5) Conta-nos uma das tuas melhores/mais engraçadas memórias do espetáculo?
Há mesmo demasiadas para escolher só uma. Fazer parte deste espetáculo mudou a minha vida. Vou trabalhar todos os dias, amo o meu trabalho, adoro as pessoas com quem trabalho — isso é muito raro.
O público dá-me algumas das memórias mais engraçadas: as pessoas, o medo quando interages com elas que se transforma em alívio e depois em gargalhadas e alegria… momentos lindos.
Com Gatsby, o palco também está preparado para elas: sê quem quiseres ser neste momento — estamos nos anos 20 e, quando as pessoas abraçam isso, pegam nisso e seguem em frente… meu Deus, divertimo-nos imenso!!
6) Como tens mantido a criatividade durante o confinamento?
Tenho lido muito, tenho devorado TED Talks e, claro, Tiger King.
Eu próprio não sou escritor, por isso ainda não me atirei para esse lado das coisas, mas sei que muitos criativos têm recorrido à caneta nestes tempos.
Por acaso, gostei mesmo do confinamento — deu-nos tempo, coisa rara. E estivemos todos no mesmo barco; há algo de bom nisso.
7) Que três coisas podemos sempre encontrar no teu camarim?
Café, uísque, um livro.
8) Se a tua vida fosse um espetáculo, como se chamaria e porquê?
O buraco no meu bolso.
9) Quais são, para ti, as principais diferenças entre trabalhar em cinema e em teatro? Tens preferência?
Para mim, no teatro estás muito mais próximo das pessoas com quem trabalhas; desenvolves e crias uma pequena família.
Raramente senti isso num set de filmagens (embora eu não possa falar por rodagens épicas de um ano). Adorei o trabalho que fiz e as pessoas com quem estive em todos os sets por onde passei, mas há definitivamente um lado mais sério nos sets — o tempo é tão importante que acho que a vibe é diferente. Não é necessariamente uma coisa má.
10) Se pudesses dar um conselho ao teu “eu” mais novo, no início da carreira, qual seria?
Não te leves tão a sério.
Trabalha tanto quanto eu trabalhei.
E não roubes aquela barra Mars da mercearia da aldeia — ainda é estranho lá entrar, mesmo quando tens 30 anos.
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