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CRÍTICA: Ali Stroker, The Seth Concert Series Online ✭✭✭✭✭
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Por
julianeaves
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Julian Eaves analisa a participação da vencedora de um Tony Award, Ali Stroker, no âmbito da série de concertos online de Seth Rudetsky.
Ali Stroker The Seth Concert Series with Ali Stroker and Seth Rudetsky
Transmitido online
11 de abril de 2021
5 estrelas
A senhora Ali Stroker talvez não seja muito conhecida no Reino Unido, mas passará a sê-lo muito mais — talvez — para quem apanhar este cabaré íntimo, irrepreensível, na mão de uma verdadeira mestre do género. Começou com uma surpreendente história de pedido/noivado, arrebatadora — cujo conteúdo foi puro musical-comedy — e assim, com toda a sabedoria, ficou montado o cenário para que o diálogo e as canções soassem todos da mesma “voz”!
E, tal como Stroker conta, haveria poucos pormenores da sua biografia que destoassem do melhor musical, com o enredo bem urdido e um humor cintilante. “I’m Gonna Wash That Man Right Outta My Hair”, de Rodgers e Hammerstein, em “South Pacific”, também o sugeriu. E deu lugar a outra anedota de bastidores, toda ela sobre esse número e o quão difícil é interpretá-lo, etc.
A sua grande oportunidade, claro, chegou aos 7 anos, quando foi escolhida para o papel principal em “Annie” e causou sensação quando a produção estreou no quintal lá de casa. Foi nessa altura que la Stroker se convenceu da missão da sua vida: cantar e dançar (com um pouco de representação pelo meio)!
Mas não devemos esquecer o tom com que abriu: cabaré bem romântico. Um pouco mais de brilho entrou quando regressou a esse registo com outra magnífica balada pop suave, “Be A Lion”, de Charlie Smalls, em “The Wiz”. E mais uma! “The Rainbow Connection” (como cantada pelo Kermit, o Sapo, etc.), de Paul Williams e Kenneth Ascher, foi um êxito nos anos setenta — e continua a ser uma delícia, com uma letra luxuriante, com um quê de anos sessenta, “cool” sem tentar ser “modernaça”.
Ainda assim, onde ela fica realmente mais “de rua” é ao falar do tipo de vida que se pode ter no teatro com uma deficiência: Stroker tem a sua e usa cadeira de rodas, mas isso não a impediu de ganhar um Tony Award pelo que fez com Ado Annie em “Oklahoma!” numa recente reposição na Broadway que foi um sucesso estrondoso. “Here You Come Again”, porém, da constantemente subestimada Dolly Parton, trouxe-nos de volta às cantoras de bar de cocktails, ao tilintar dos copos, a risadinhas de festas privadas que mal ligam à “cantora”, enquanto os escolhidos (nós!) vamos apanhando, de ouvido, as areias movediças da traiçoeira vida amorosa da intérprete de baladas.
A seguir: “Hopelessly Devoted”, de “Grease” (o trunfo para contar vezes sem conta, para toda a eternidade, de John Farrar). Perfeito. E depois, a análise ardente e dolorosamente precisa de Andra Day sobre uma devoção falhada, “Burn”, um chamamento às armas para todos os aspirantes a incendiários domésticos de coração partido. Stroker faz tudo. Ela é tudo.
Mas a sua grande oportunidade nos Playwrights Horizons (para entrar, enfim, na vida adulta!) chegou através do tantas vezes mencionado neste espetáculo Ryan Scott Oliver, que — ainda muito novo — a colocou num novo espetáculo que correu bem (acabou por se chamar “Mrs Sharp”) e ela começou a ser notada. Tivemos um belíssimo “belt” de “I’m Just A Girl Who Cain’t Say No” pela vencedora do Sing-Off desta semana, Rebecca — uma canção que, ao que parece, puxa mesmo pelo melhor dos jovens entusiasmados.
Depois disto, Stroker alisou quaisquer cabelos eriçados com “Kind Of Woman”, de Stephen Schwartz, em “Pippin”. Daí para “You Make Me Feel Like A Natural Woman” (Carole King, Gerry Goffin, Jerry Wexler), com harmonias elegantes do maestro Rudetsky. E então veio a bomba: o grito do coração da Ado Annie indomável, no drama continuamente reinventado de R&H sobre o Velho e o Novo Oeste, “Oklahoma!”.
Para arrefecer após esta explosão, recebemos um cocktail rapidamente agitado e maravilhosamente refrescante de Pasek e Paul: “A Million Dreams”, do seu próprio trunfo para contar eternamente, “The Greatest Showman”. E um grande final, “Suddenly Seymour”, de Howard Ashman e Alan Menken, em “Little Shop of Horrors” — uma despedida bem escolhida, centrada no lado pop, para todos os desajustados e excêntricos que, de algum modo, se encontram a si próprios e a sua verdadeira vocação — por mais assustadora que seja! — no adorável e louco mundo do teatro musical.
Ámen.
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